Não sei bem qual foi o dia exacto em que decidi ser enfermeira… até porque já fiz essa escolha há muito muito tempo… Penso que a pouco e pouco fui percebendo que, acima de tudo, gostaria de trabalhar para e com pessoas e a profissão de enfermagem sempre me cativou pelo seu carácter humano e de certa forma enigmático.
Tenho realizado muitas vezes uma espécie de pequeno balanço onde comparo o dia em que entrei no curso de enfermagem e o momento em que me encontro agora. Tantas experiências que me fizeram realmente crescer… apercebo-me cada vez mais da grande mudança na minha percepção ac

As várias (que são ainda poucas) experiências que tenho vindo a viver ensinaram-me a ver para lá dos meus horizontes, a perceber a importância do respeito e da empatia, a sentir na pele a importância de ajudar alguém, a ter os primeiros contactos com aquela que é a profissão que tem como centro de toda a sua existência a pessoa.
Olhando para trás, apesar de desde há muito tempo desejar ser enfermeira, sei que não conhecia totalmente tudo o que isso envolve… Tenho também a plena noção que ser enfermeira mudou vários aspectos da minha personalidade. Isto porque uma das coisas que também aprendi é que esta é uma das poucas profissões em que a nossa personalidade afecta muito o tipo de trabalho que realizamos e vice versa… o que fazemos tem resultados visíveis e imediatos na pessoa doente com que lidamos e o que vivemos no trabalho marca também a nossa forma de ser e pensar…
Ser enfermeira tem ultrapassado as minhas expectativas e, apesar de todas as contrariedades, sinto que fiz a escolha certa e é muito dificil imaginar-me a ser e fazer outra coisa… Tal como canta a Mafalda Veiga, durante todo o meu percurso até aqui “fui aprendendo a procurar por entre os sonhos meus”, que é o que todos tentamos fazer da melhor forma possível. A meu ver, o sentido da vida está em ser o que somos e tornarmo-nos aquilo que somos capazes de ser. A profissão de Enfermagem é uma parte da procura daquilo que considero, para mim, o sentido da vida.